O avançado comércio do Povoado do Moinho


O povoado do Moinho é um lugar tão avançado, que você não precisa entrar de máscara no comércio.

Porque não há comércio!

Eu já bati perna por esse Brasil. Já fui em muito interior, vila e sertão. Jamais havia visto uma organização social como a do Moinho, que é um distrito de Alto Paraíso de Goiás (12 km por estrada de terra).
Aqui, você compra o bolo da dona Fulana, passa na horta da Sicrana e ela já colhe o que você precisa. O sabão pode comprar na Beltrana. 

Aqui, qualquer lugar preenche a cartela do bingo: 

》Compre do pequeno. 
》Compre de quem faz. 
》Consuma orgânicos. 
》Opte sempre por opções veganas. 

É um vilarejo em que a produção é predominantemente nativa. Mas eles são rápidos, gentis e espertos, na melhor acepção da palavra. Por isso, mesmo quando a gente não pergunta, eles consultam: "quer biscoito vegano ou comum?". Levando em conta que o "comum" é com o máximo de ingredientes orgânicos locais. Não por marketing. Não por uma política de valorização local. Aqui é o que deixamos de ser.

Pra se ter uma ideia do quão preservado culturalmente está, a avenida principal de Alto, a meia hora de carro daqui, se tornou um grande shopping ao ar livre, onde se compra comida saudável, roupas leves e zen por três dígitos e pacotes de passeios por muitos deles. 
São Jorge, que é outro distrito bem mais distante, onde está a entrada do Parque Nacional, ainda tem chão de terra*, mas festas sem fim. Ao voltar de lá após o réveillon, um amigo me disse que se sentiu na cracolândia, com gente caída no chão. 

Mas aqui, dizem, há proteção. Talvez seja o fato das antenas de celular não chegarem (a internet pela qual vos falo é por satélite). 

*Em 2024 a vila de São Jorge recebeu calçamento.

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