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Cordisburgo: a terra do realismo fantástico

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Dias após a morte de seu pai, o alicerce da casa de Elane desabou. Logo também se foi o boi de estimação, morador do sítio da família. O bicho esteve prestes a virar churrasco nas mãos do filho mais velho, mas seguiu o conselho amigo da herdeira, que se adiantou na noite anterior e lhe falou no ouvido: “Vê se dá um jeito na sua vida, porque meu irmão quer dar cabo de você”. Amanheceu morto, de causas naturais. Ou (quem sabe?) teria sido uma intervenção extraterrena. Porque foi atrás dos habitantes de outros planetas que esta mulher percorreu na juventude a estrada até a antiga hidrelétrica da cidade, a primeira a gerar luz para a pequena Cordisburgo. Morto o pai, transformou a residência, agora de alicerces renovados, em pousada domiciliar que administra junto com a mãe, Dona Dadá. Os quartos são quase todos destinados aos inúmeros visitantes que penetram o sertão atrás do amor emanado pela obra de Guimarães Rosa, filho mais ilustre daquele “lugar do coração”, como o pomposo nome em l...