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Mostrando postagens de janeiro, 2005

Um povo bi-colonizado

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O que faz uma pessoa sair de sua terra, colocar a mudança no caminhão, se instalar em outra cidade sem ter a menor vontade de interagir com os locais? É como se mudar para Ipanema e ignorar os cariocas.  Mas é o que mais vejo aqui em Florianópolis. Não importa como tudo começou, quantas bruxas esse povo teve que enfrentar quando colonizou uma ilha selvagem, juntando a tradição portuguesa com a local e povoou a ilha de seres imaginários e cruéis. Me chateia isso. Faço questão de conhecer tudo. Histórias antigas e atuais. Quais as questões que permeiam a vida deste povo? O que rola na política local? Vivo contando detalhes em pontos de ônibus que ninguém nunca sabe - e olha que muitos já estão há alguns meses por aqui. Para falar a verdade, não sei em que mundo  vivem. Não dá para impedir essa migração, mas que dá raiva, dá. O problema não é que as pessoas se mudarem para a ilha. É essa mania de achar tudo o que é manezinho um ser inferior. [Nota de 2025: perdi ...

O que você pode encontrar andando por Florianópolis:

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– Um homem tocando harpa em plena rua principal (um calçadão). – Uma multidão em volta de velhinhos que jogam dominó (e um dominódromo, com telhado e tudo, na Lagoa). – Vendedores mirins (índios) de chiclete falando portunhol: “quieres caramelos?”. – Tumulto no ônibus, geralmente brasileiro tretando com argentino. – Pessoas sentadas na Praça XV, lendo tranquilamente seu livro (é a praça principal da cidade, em pleno centro) . – Um Mercado Municipal que tem, de um lado, 60% de peixarias, e do outro, um corredor onde só se vende sapato (milhares de sandálias de plástico em promoção. Sim, é o céu). – Um bairro inteirinho com pessoas do mesmo país, onde só se fala espanhol e gente que se acha um tantinho desfila com suas camisas polo bem passadas. (Eles saem do país deles para ficarem na praia com menos atrativos naturais e só encontrarem seus conterrâneos. Acho estranho). -Uma placa, dentro da ilha, indicando: “Florianópolis” e aquelas setinhas indicando para seguir a estrada....

Ilha da moça faceira, da velha rendeira tradicional

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Florianópolis é um lugar cheio de história, recantos inimagináveis de tão bonitos, que doem a vista por sua perfeição. É a terra do vento, que nesse momento sopra furiosamente, como no dia do furacão. É onde ser motorista e cobrador de ônibus é profissão de status, em que esses mesmos funcionários falam um portunhol hilário, e os passageiros sempre tendem a invocar São Paulo ou Rio quando querem exemplificar: “imagine se fosse no Rio…”. Rio, São Paulo. Perto, mas há milhares de quilômetros da cabeça de alguns manezinhos, que até gostam dos filhos, mas usam a psicologia do grito para educá-los. Pessoas que, no interior da ilha, montam em sua cabeça como deve ser fantástico o metrô (será que tem banco?). Morar aqui é respeitá-los. Não está certo colonizar a ilha, que é deles. Mas acontece muito. As pessoas vem para o cenário, não para a cidade – que é o conjunto de terras e gente. [Crédito da imagem: Pixabay]