Uma das melhores sensações do mundo

Com a novela "Como uma Onda" a Globo quer nos convencer de que os pescadores de Floripa moram na areia, que suas ruas não são calçadas, que as mulheres usam aqueles vestidos rendados.
Foi uma tentativa triste de romancear a vida na ilha. Demonstra falta de afinidade com o lugar. Eles simplesmente resolveram fazer uma novela se passando em Florianópolis, e o resto enfiaram lá.

Crédito: print de tela TV Globo

Se conhecessem a vida daquele povo, saberiam de algo muito mais poético para ser retratado: a chegada do verão.
Não, querido leitor. Mesmo se você já passou as férias por lá, não tem ideia do que isso significa.

Depois de meses de chuva e ventos assassinos (o Vento Sul te parte ao meio), chega o verão. Só vendo como o ânimo das pessoas se altera, como a ilha cria vida. A diferença que faz o calor. O verão traz uma esperança inenarrável. Só de ouvir no rádio que está aberta a temporada de verão, você tem vontade de sair pulando no meio da rua, gritar o quanto a vida é bela.
Começam a pipocar festas por todo lugar. As pessoas saem das tocas, as praias ficam cheias. Só se vê gringo de um lado para o outro. Com a felicidade vem o dinheiro, empregos. Eles ganham em dois, três meses, o suficiente para viver durante o ano todo.

Difícil esquecer da sensação de pele queimada, calor, pessoas espremidas dentro do ônibus. Mil nacionalidades tentando se comunicar.
O inverso acontece depois do carnaval. As baladas fecham, os turistas vão embora. O calor continua por mais um tempo. A ilha, vazia, fica só para seus moradores.

Confesso que dá um vazio. 

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